Como nasce o fado?
A Teoria Marítima

Existem diferentes teorias sobre a origem do fado em Portugal. Uma destas teorias, protagonizada por Pinto de Carvalho através do seu livro História do Fado (1903), conta-nos que a prática original do fado teve lugar a bordo das caravelas dos descobrimentos, entoado pelos marinheiros. Este fado cantando em alto mar a saudade, viria a moldar os fados tocados depois em terra.

 

Origem do Fado: a Teoria Marítima Existem diferentes teorias sobre a origem do fado em Portugal. Uma destas teorias, protagonizada por Pinto de Carvalho através do seu livro História do Fado (1903), conta-nos que a prática original do fado teve lugar a bordo das caravelas dos descobrimentos, entoado pelos marinheiros. Este fado cantando em alto mar a saudade, viria a moldar os fados tocados depois em terra.

A Teoria Marítima defende que o que originou o fado foi a expressão artística da dor sentida pelos portugueses durante as conquistas marítimas, nos séculos XV e XVI. Aventurados no mar desconhecido, viviam um clima de melancolia e esperança causado pela partida e separação dos seus entes queridos.

A Teoria Marítima defende que o que originou o fado foi a expressão artística da dor sentida pelos portugueses durante as conquistas marítimas, nos séculos XV e XVI.

Pinto de Carvalho desenvolve a sua teoria sobre a origem do fado, chamando a atenção para o facto de o mar ser uma das temáticas mais focadas nesta expressão musical. Era na proa dos barcos que os marinheiros cantavam fado, sendo este, talvez por isso, objeto de inspiração também no que diz respeito ao seu ritmo ondulado e cadenciado.

O fado nasceu no mar

Frederico de Brito

Ao sabor das ondas, o fado nasceu no mar

Ao balanço de ondas mil por berço teve um navio

Por coberta um céu de anil.

Numa barquinha vogando batida pelo luar

Ouvi um nauta cantando

 

De facto, o contexto marítimo tem um grande peso na história de Portugal, consequência da expansão do império colonial, a partir do século XV. Assim, o mar inspirou inúmeras metáforas de interrogação e incerteza que encontramos também no Fado.

 

 

Carvalho, P., (Tinop), 1903. História do fado. Lisboa: Empreza da História de Portugal Sociedade Editora.